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Viva Chile! (Santiago)

Santiago, capital do Chile entrega muita coisa: vinícolas, Cordilheira dos Andes, bairros boêmios e bate-volta para o litoral. 

Antes do embarque, aeroporto Salgado Filho.

Eu, Angelita e Clarice, fizemos essa viagem no início de abril de 2026. Saída de Porto Alegre, conexões em Guarulhos e Buenos Aires. 

De Buenos Aires a Santiago, a melhor vista do alto é a Cordilheira dos Andes. O trajeto é um espetáculo só, destacam a vista do Pico Aconcágua, neve nas montanhas, lagoas e muitas, muitas montanhas. 

Monte Aconcágua, 6.962m, a montanha mais alta das Américas 

"Que você se permita ter o privilégio de sobrevoar a Cordilheira dos Andes pelo menos uma vez na vida."

Com mais de 7.000 km de extensão e atravessando sete países (Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela), a Cordilheira dos Andes é mesmo uma obra-prima da natureza. Ela funciona como a espinha dorsal da América do Sul, a maior cadeia montanhosa do mundo em extensão, abrigando o pico mais alto das Américas, o Aconcágua e dezenas de vulcões ativos. 
Essa grande barreira de pedras e gelo vai muito além de uma paisagem bonita. A Cordilheira é vital para o clima do nosso continente.

Créditos: Clarice

A viagem foi intensa. Começamos por Santiago, 03 dias inteiros, depois San Pedro do Atacama, 04 dias inteiros, e após retornamos a Santiago para fazer um bate e volta a Valparaíso e Viña del Mar.

Em Santiago, quando chegamos, ficamos hospedadas no Centro Histórico e no retorno ficamos no bairro Providencia. 

Uma rua tranquila, arborizada. Nosso 1º endereço em Santiago

Apesar do bairro Providencia ser o mais recomendável, para mim a melhor opção em Santiago, principalmente para quem vai pela primeira vez, é ficar no centro, que tem um toque de charme que é só dele. Do centro é possível fazer muita coisa a pé, está quase tudo a 15 minutos de caminhada. 

Providencia é um bairro empresarial, com prédios altos, comércio e restaurantes. 


Não perdemos tempo e na nossa primeira noite fomos ao Los Buenos Muchachos, um restaurante tradicional com muita música, frequentado por turistas e locais. Ao final dos shows a pista vira uma danceteria. É  um local onde começamos a nos sentir imersas na cultura e com o povo chileno. 




O primeiro dia é pra entender a cidade

Palacio de La Moneda, sede do governo chileno. 
A troca da guarda acontece em dias alternados, às 10h. 
El Palacio de La Moneda

A principal atração turística, o ponto inicial de visita histórico do Chile. 
Foi cenário para o golpe militar liderado por Augusto Pinochet, em 1973. O prédio foi bombardeado depois de um discurso antológico de Salvador Allende. Até hoje rondam fantasmas em torno da morte de Allende. 


Crédito dos vídeos: Angelita


 
Já a Troca de Guarda do Palacio La Moneda é o evento mais tradicional do país. A apresentação acontece na Plaza de la Constitución, em frente ao palácio, e dura em torno de 40 minutos. 


Na Plaza de Armas, o marco zero. 
A alma da cidade circula por esta região. Ainda que seja, talvez, o lugar mais turístico da cidade, a impressão que se tem é de estar entre eles, ser um deles. 

Imponente mesmo é a Catedral Metropolitana, fazendo pose ao lado da modernidade









Cerro Santa Lucía, é um morro no meio da cidade com vista e jardins. 

Entrada do Cerro Santa Lucía



Adoro conhecer e passear pelos Mercados, seja no Brasil ou fora dele. 
Em Santiago, almoçamos no Mercado Central, um mergulho na culinária chilena, com uma variedade de pratos a base de frutos do mar. 
Contrariamos todos os comentários negativos do lugar e fomos. Não presenciamos nada de perigoso. Chegamos, conhecemos, almoçamos, recebemos elogios e saímos sem nenhum problema. Comida boa e pratos bem servidos. Uma ótima experiência, só pontos positivos ao Mercado Central.
Para quem quer conhecer a gastronomia chilena, o Mercado é um prato cheio. É um dos poucos lugares da cidade que oferecem itens tão frescos como aqui.
 
Mercado Central, de 1872, arquitetura clássica.


Suco de Arándono

Cerro San Cristóbal


Santiago pede a ida a um lugar alto para entender a cidade-vale. Das duas opções que a cidade oferece, uma é algo super urbanóide, chamado Sky Costanera, uma espécie de Empire State Chileno, o prédio mais alto da América Latina. A outra é um teleférico em meio a natureza que leva até o Cerro San Cristóbal. Optamos pelos dois. 

A subida pode ser de funicular ou de teleférico. Preferimos subir de funicular e descer de teleférico — vê-se a cidade de ângulos diferentes. 



Santiago e Cordilheira dos Andes


Experimentando o Mote com Huesillos, o caldo de cana chileno (nada similar na aparência ou gosto), mas tão popular quanto.

Um suco caramelado com um pêssego em conserva e cheio de bolinhas de trigo desidratadas – os huesillos.

Toma-se primeiro o suco depois come-se o pêssego e o trigo também. É praticamente uma refeição. 

Mote con huesillos



 Estátua da Virgem Maria

Descer de bondinho vale muito a pena. Vista da cidade e da Cordilheira dos Andes ao fundo. É fantástico!



Gran Torre Santiago ou Costanera Center



Sky Costanera, o mirante mais alto da América do Sul, no topo do Costanera Center (300 metros). A vista de 360º com a Cordilheira dos Andes ao fundo é sensacional, principalmente no pôr do sol. 




O horizonte chileno, com suas montanhas em todo o redor que fazem da cidade um vale, é um cenário um tanto inacreditável, ver-se numa metrópole enquanto os olhos alcançam picos, alguns com neve em meio ao sol.




Lá do alto uma vista panorâmica da cidade. Tivemos sorte de apreciar um lindo pôr do sol.




Museu da Memória e dos Direitos Humanos


Foi o meu preferido em Santiago. Uma visita triste e impactante, mas necessária. O Museu da Memória e dos Direitos Humanos busca dar visibilidade às violações cometidas pelo Estado Chileno durante a ditadura militar de 1973 a 1990. 

Através de farta documentação e material interativo, o espaço permite a reflexão sobre este período recente e trágico do país.

A exposição permanente ocupa dois andares do edifício e mostra um mapa de violação de direitos humanos também no mundo, inclusive no Brasil. São fotos, vídeos, documentos oficiais e registros pessoais que retratam episódios marcantes como o “11 de Sep­tiembre” deles, quando em 1973 o Palacio La Moneda foi bombardeado, além de poder ouvir o último discurso de Salvador Allende, antes de sua morte.

Uma das partes mais comoventes é o memorial dedicado às vítimas do regime que foram mortas, torturadas ou seguem desaparecidas até hoje. Você sai de lá meio atordoado, com nó na garganta e vontade de abraçar quem está do seu lado.

   



No vídeo, registros da ditadura pelo mundo.


O Estádio Nacional de Santiago, no Chile, foi transformado em um campo de concentração e centro de tortura a partir de 12 de setembro de 1973, um dia após o golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet




Memorial dedicado às vítimas do regime que foram mortas, torturadas ou seguem desaparecidas até hoje





Inaugurado em 2010, com uma construção moderna, o Museu da Memória e dos Direitos Humanos nos traz um tema sensível e delicado sobre um capítulo triste da história do Chile: as muitas fases da ditadura chilena e das vítimas que sofreram nesse período.

É um espaço triste e que nos faz refletir, mas que jamais deverá ser esquecido.

Depois da visitação, tomamos um café ali mesmo e conversamos muito, sobre diversas coisas. Foi um momento sem pressa, de descontração. 



O Cajon del Maipo com Embalse El Yeso foi uma das experiências de turismo de natureza que também marcou a gente — a paisagem é de outro planeta. 

É o tour mais famoso de Santiago, um passeio feito na Cordilheira dos Andes, que inicia de madrugada.
No caminho uma parada para um café à beira do rio, com paisagens de montanhas. 






Em Cajon del Maipo, as piscinas com águas termais são aquecidas pelo Vulcan San Jose, um vulcão ainda ativo, sendo que a última erupção foi em 1960.
São várias piscinas e o ideal é começar pela última que é a mais fria, 25 graus, e tentar chegar na primeira que chega a 55 graus, quando a pessoa vira sopa. 
É um banho relaxante com vista para as montanhas.






Uma experiência fantástica!















A segunda parada, vista para o Vulcan San Jose. 



A terceira parada: Embalse el Yeso é a combinação de lago azul turquesa com montanhas nevadas. Uma represa que abastece toda cidade de Santiago, a água é azul-turquesa. Fica a uns 2h30min de Santiago, estrada de terra/pedra no trecho final.
É água de gelo das montanhas da Cordilheira dos Andes. Lindo demais! Parece tela de computador.




É um passeio que vou sentir saudades toda vez que passar por uma plantação de soja na minha região.




Quarta parada: La Casa del Chocolate, servem sorvetes, chocolates, cafés. 
O sorvete de algarrobo, só se encontra no Chile.
 
La Casa del Chocolate


Última parada: um piquenique bem servido, com queijos, chocolates, uvas e vinhos. 
Muito bem servido mesmo, fartura, que deixa qualquer um de barriga cheia e levemente alcoolizado.







Ainda tínhamos muito para conhecer em Santiago. A noite fomos para o tradicional Bar/Restaurante Laguria

Decoração e chop no Bar Liguria
Um bar com decoração nostálgica, objetos vintage e por servir pratos tradicionais


Retornando do Liguria 


Reservamos uma manhã para o melhor da gastronomia chilena: o vinho. 
A Vinícola Concha y Toro fica a cerca de 50 minutos do centro, em Pirque, e é a vinícola mais famosa do Chile, dona da linha Casillero del Diablo.

O tour clássico passa pelos vinhedos, pela adega histórica e termina com degustação, trazendo bem aquela mistura de história e experiência sensorial que faz o passeio valer a pena.

Concha y Toro, é uma das mais antigas e conhecidas do país. Os brasileiros adoram passear por lá. 

Santiago possui regiões modelo para toda a produção de vinho no Chile. Foi aqui a redescoberta da uva Carménère, considerada extinta nos parreirais franceses.

Há muitas outras vinícolas por ali que, numa viagem específica para isso, você faz a festa sem se afastar mais do que duas horas da capital. 









Concha y Toro, fundada em 1883 por Dom Melchor de Concha y Toro. 
Aqui se descobre o segredo da lenda do Casillero del Diablo.
O tour inclui jardins, loja, vinhedos com vista para a Cordilheira dos Andes, adegas, projeções que ilustram sobre a lenda do Casillero del Diablo, degustações e uma taça personalizada para levar pra casa.
















Para chegar ao casarão onde viveu o fundador, Don Melchor, há um túnel de folhagens que se entrelaçam formando uma suave sombra pelo caminho. 






As bodegas onde estão armazenados os vinhos que chegam à sua mesa. Na parte dos barris antigos é onde se conhece a história da bebida mais célebre da Concha Y Toro e um dos vinhos chilenos mais conhecidos no mundo, o  
Casillero del Diablo












Por último conhecemos as bodegas atuais, cheias de barris de carvalho – vindos de várias partes do mundo. A dica é levar um agasalho para entrar aqui. A temperatura média é de 12º. Uma exigência para manter a qualidade dos vinhos. 


A parte mais esperada







Na loja encontram-se todas as cepas e formas de cada marca. Há uma enorme oferta.
 




Brindando a última noite dessa primeira etapa em Santiago, andes de embarcar para o Atacama. 
*O saca rolhas com canivete acoplado que ganhamos em uma loja de vinhos no centro histórico, foi praticamente uma batata quente durante as viagens. Todas acabaram carregando na mala de bordo ou na mochila, na ida ou na volta. Na terra onde fazem os melhores vinhos, impossível não carregar entre um aeroporto e outro uma ferramenta para abrir uma garrafa de vinho. Valeu a pena! 


Valparaíso - Cerro Concepción: é famoso por suas ruas, casas e becos coloridos com artes e grafites a céu aberto.
Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a cidade portuária destaca-se pela arte urbana e mirantes. 








As famosas casas coloridas de Valparaíso, no Chile, nasceram da necessidade e da celebração. No início, as casas eram brancas e cinzas. Após a abolição da escravatura, moradores libertos passaram a pintar suas casas com sobras de tintas dos navios para expressar sua liberdade. Além disso, as cores brilhantes ajudavam os marinheiros a reconhecerem suas casas no alto dos morros quando voltavam do mar.







Esse tempo todo, Valparaíso sobreviveu a terremotos e ataques de corsários




Hoje, as cores de Valparaíso contam a história de um povo que construiu sua identidade e sua alegria nas encostas do Oceano Pacífico.

Porta Vermelha, parada obrigatória para fotos. Essa porta é de um hostel.











Viña del Mar é considerada a Cidade Jardim e um dos mais importantes balneários do Chile.




No Museu Fonk, um Moai original da Ilha de Páscoa.

Em 1951, o Museu Fonck trouxe uma estátua monolítica de pedra Moai da Ilha de Páscoa, que agora está na entrada do museu. 

Um privilégio poder contemplar uma estátua original que pertence a cultura e a civilização dos Rapanui.





Construções na avenida litorânea de Viña del Mar


Nossa última noite em Santiago foi para fechar com chave de ouro.  
Nosso anfitrião chileno, "Pato"  foi o protagonista da festa. 
Atacamers Futebol Club



Essa viagem marcou a todas nós: foi divertida, intensa, teve superação física, conversas abertas e francas, muitos risos, discordâncias de opiniões, "infrações às leis chilenas", ressacas, noites bem e mal dormidas, também momentos de muita contemplação, silêncio e reações. A convivência foi forte e isso a tornou incrivelmente inesquecível. Grandes aventuras sempre tem momentos fantásticos e difíceis, com altos e baixos, porque mostra a realidade crua de estar junto 24h por dia. Nunca deixamos de brindar do início ao fim da viagem e, tenho certeza que a cada brinde um elo me unia a Angelita e a Clarice (conheci elas na viagem) e com cada uma houve conexões paralelas.   

Viva Chile! Chile da Repressão!
Só vocês, Clarice e Angelita, entenderão.

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